A ditadura do politicamente correto alastrou-se pelas almas como faísca no fio de cabelo. Tomados pela afetação sentimental, tendo perdido o espírito viril de outros tempos, basta algum católico fazer alguma crítica objetiva ao bom-mocismo diplomático de algum um cardeal, bispo, arcebispo ou padre, que fazem logo beicinho e esperneiam. As demonstrações de bom-mocismo se difundem por toda parte transformando os católicos em geral, no instrumento mais passivo, bocó e inconseqüente dos últimos tempos, e tudo para manter as aparências. A diplomacia é certo, é um jogo de aparências.
O problema é que aqueles que se acostumam a viver de aparências acabam se infectando de um horror sacrossanto à realidade. O mais escandaloso é que, quanto mais exibem bom-mocismo para angariar simpatias daqueles que maltratam a Santa Igreja estando dentro dela, se apressam por fazer juízos temerários sobre católicos sinceros que se recusam a viver numa caverna platônica.
Aceitar novos padrões de conduta é absorver os valores que eles transmitem. O código politicamente correto esmaga o hábito consagrado pela tradição, colocando em seu lugar, um padrão artificial e forçoso de conduta. A acrobacia mental requerida para o fiel adaptar-se a essa mutação súbita traz um dano profundo e dificilmente curável. Estou fora dessa.
O princípio que os inimigos da Igreja estão fazendo contra ela é o princípio da guerra assimétrica. Para surtir efeito, a assimetria se impregna profundamente nos hábitos de julgamento dos fiéis, de modo que estes não percebem a imoralidade intrínseca das cobranças pretensamente morais que fazem a um dos contendores enquanto concede ao outro o benefício da indiferença ou do silêncio cúmplice. Um exemplo é o desnível de tratamento dado aos católicos que não aceitam a ditadura do “politicamente correto”, estes vilipendiados pelos próprios católicos e os que aceitam.
Outro exemplo é o desnível de tratamento dado a Fraternidade São Pio X, sujeita a todas as críticas, e aos movimentos sinistros e confusos aprovados pelo Santo Padre, como o Neocatecumenato. Nada adianta ter um exército valoroso lutando no exterior, se no interior seu povo é vulnerável à chantagem maliciosa de inimigos camuflados em vestais ofendidas.
Do mesmo modo, meia dúzia de críticas feitas a postura de algum membro da hierarquia já aparecem nesses meios católicos afetados como o mais odioso dos abusos. Enquanto a Folia com Cristo com as bênçãos do Arcebispo aparece com algo imaculado, imune a qualquer crítica. A regra usada pelos nossos inimigos é essa: Vale tudo para quem age contra a Igreja. Não dá para entrar nessa, não sou ator.
O normal é o sujeito ter uma reação adequada a cada situação. A reação deve ser proporcional à situação. Como em Eclesiastes, tudo tem o seu tempo determinado, tempo de estar calado e tempo de falar; tempo de amar e tempo de aborrecer; tempo de guerra e tempo de paz. Um dos meus dramas dentro da Igreja, é perceber que muitos católicos não sabem que estamos em tempos de guerra, querem a paz. Não sabem que é tempo de falar, querem calar. Não sabem que é tempo de aborrecer os inimigos, só falam de "amor".





