A CRISE PÓS-CONCILIAR NA ÓTICA DE UM FILÓSOFO DA IGREJA ORTODOXA

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Referências do autor:
Hugo Tristram Engelhardt, Jr. (Born in 1941 in Texas) is an American philosopher, holding doctorates in both philosophy from the University of Texas at Austin and medicine from Tulane University. He is a professor of philosophy at Rice University, in Houston, Texas, specializing in the history and philosophy of medicine, particularly from the standpoint of continental philosophy. He is also a professor emeritus at Baylor College of Medicine, and a member of the Baylor Center for Medical Ethics and Public Policy. He is currently a member of the editorial boards of several journals, including the Journal of Medicine and Philosophy, Christian Bioethics, and Philosophy and Medicine. Converted to the Eastern Orthodox Church in 1991.

MAÇONARIA E A UNIDADE ECUMÊNICA DAS RELIGIÕES

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A MODERNIDADE COMO CULTURA ADVERSÁRIA DA IGREJA

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PAPA PAULO VI SOBRE O HEREGE DOM HELDER

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MODERNIDADE CORROSIVA

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"Desde uma perspectiva teológica cristã, Ratzinger encabeça um movimento teórico que também defende o postulado tradicionalista contra a corrosão de uma modernidade que não conhece mais limites que os que ela se impõe e...frente a essa modernidade que não conhece limites, Ratzingerpostula uma crítica radical. Sem tradição não há nenhum lugar para a razão, afirma. Uma razão sem tradição se converte numa sem-razão." (MIRES, Fernando. El pensamiento de Benedicto XVI, LOM Editores, 2006)

A IGREJA DEVE RECONCILIAR-SE COM O MUNDO MODERNO OU É O MUNDO MODERNO QUE DEVERIA SE RECONCILIAR COM A IGREJA?

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ERIC VOEGELIN E A ESSÊNCIA GNÓSTICA DA MODERNIDADE

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A ABERTURA DA IGREJA AO MUNDO MODERNO TEM SIDO UMA POSTURA EQUIVOCADA

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"A abertura da Igreja ao mundo moderno, que pretende prolongar o diálogo com o mundo iniciado por João XXIII e Paulo VI, tem sido uma postura equivocada que é preciso reconsiderar. Há que buscar 'um novo equilíbrio' depois dos exageros de uma abertura indiscriminada ao mundo, depois das interpretações demasiado positivas de um mundo agnóstico e ateu. O encontro da Igreja com o mundo é necessariamente conflitivo. Uma abertura sem reservas é ingênua e irresponsável. Reflete uma visão de 'um otimismo fácil', 'pouco crítico e realista', 'que tem confundido o progresso técnico atual com um progresso autêntico e integral' "(RATZINGER, J. Informe sobre la fe. BAC, Madrid, 1985, p. 35)

A MODERNIDADE E OS PAPAS

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AS CONSEQUÊNCIAS NEFASTAS DA MODERNIDADE

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19 E ANTIGAMENTE... QUANDO AS ESCOLAS CATÓLICAS SE PREOCUPAVAM COM OS INIMIGOS DA IGREJA

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RELIGIÃO DO TERROR

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Sacrifícios astecas: o domínio do medo

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* Mas sempre existem idiotas para afirmar que: 'todas as religiões são boas', ou 'o importante é você se sentir bem', ou 'devemos respeitar a cultura dos outros'...

HAITI E, CERIMÔNIA DE BOIS CAIMAN E REVOLUÇÃO

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HAITI, VODU, PACTO, REVOLUÇÃO E INDEPENDÊNCIA

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IGREJA NA FORMA DE FOICE E MARTELO

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Igreja da Pampulha

PADRE DA TEOLOGIA DA LIBERTAÇÃO,
ALÉM DE DIZER BARBARIDADES CONTRA O ESTILO GÓTICO
E A ARQUITETURA VERTICAL, CONFESSA QUAL FOI A INSPIRAÇÃO DE NIEMEYER

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OS ELEMENTOS 'RELIGIOSOS' DO MARXISMO

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A GRANDE ILUSÃO


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*Augusto Meyer - (Porto Alegre, 24 de janeiro de 1902 — Rio de Janeiro, 10 de julho de 1970) foi um jornalista, ensaísta, poeta, memorialista e folclorista brasileiro. Foi membro da Academia Brasileira de Letras e da Academia Brasileira de Filologia. Era filhos dos imigrantes alemães Augusto Ricardo Meyer e Rosa Meyer. Colaborou em diversos jornais do Rio Grande do Sul, especialmente no Diário de Notícias e Correio do Povo, escrevendo poemas e ensaios críticos. Estreou na literatura em 1920, com o livro de poesias A ilusão querida, mas foi com os livros Coração verde, Giraluz e Poemas de Bilu que conquistou renome nacional. Foi diretor da Biblioteca Pública do Estado, em Porto Alegre.

HISTORIADORA AUSTRALIANA DESMONTA MAIS UMA LEGENDA NEGRA

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CLENDINNEN, Inga. Aztecs; an interpretation. Cambridge: Cambridge University Press, 1991.


http://books.google.com/books?id=wx6qqnjStIEC&printsec=frontcover&dq=aztecs+inga&hl=pt-BR&cd=1#v=onepage&q=&f=true

Foi Frei Bartolomé de las Casas, o inventor da “leyenda negra” que descreve a ocupação do México como um crime de genocídio praticado pela Igreja contra os índios. Repetida infindavelmente pela propaganda anticristã, acabou por se tornar verdade oficial. Mas a história contada pelo frade é quase a inversão exata da realidade. Já não é possível sustentá-la depois que a historiadora Inga Clendinnen, em “Aztecs: an interpretation” (Cambridge University Press), cotejou todos os depoimentos que restaram de testemunhas oculares.

Em primeiro lugar, o morticínio mal chegou a ombrear-se, em quantidade de vítimas, ao número das que antes disso foram sacrificadas e tiveram o seu coração arrancado em matanças rituais que, literalmente, lambuzavam de sangue a população de Tenochtitlan.

A extinção da cultura asteca só pode ser considerada um crime caso o mesmo rótulo se aplique à destruição do nazismo. Em segundo lugar, a matança dos vencidos não foi obra dos espanhóis, e sim dos índios das tribos vizinhas, ansiosos para vingar-se de um cruel dominador que ciclicamente devastava suas cidades em busca de vítimas sacrificiais para seu culto macabro. Eles acharam que só estariam livres do pesadelo se matassem até o último asteca — e o fizeram, contra a vontade expressa de Hernán Cortez.

Em terceiro lugar, mesmo que o supuséssemos culpado de tudo, Cortez, um aventureiro que ali chegou por decisão pessoal, contra as ordens de seus superiores, não era sequer representante do governo espanhol. Fazer dele, então, um representante da Igreja é o cúmulo do associativismo forçado. Mas Frei Bartolomé não se contenta em transformar a tardia reação das vítimas num ato de opressão colonialista. Inventando um tipo de raciocínio que no século XX será repassado às crianças de escola sob a rósea denominação de “diversidade cultural”, ele justifica moralmente a prática dos sacrifícios humanos nos cultos astecas, equiparando-a ao rito cristão da Eucaristia.

Nenhum historiador honesto aceita a "leyenda negra" de frei Bartolomé de las Casas como fonte confiável. Depois que Inga Clendinnen reuniu em Aztecs: An Interpretation (Cambridge University Press) todos os testemunhos de sobreviventes das batalhas de Hernán Cortez contra os astecas, nenhum membro da comunidade historiográfica tem o direito de ignorar que quem destruiu essa antiga cultura não foram os espanhóis, mas as tribos circunvizinhas, cansadas de fornecer vítimas sacrificiais para os ritos macabros de uma religião cujo fim Maxwell acha lamentável.

Se o livro de frei Bartolomé ainda serve de documento, não é sobre a história das Américas: é sobre o ódio psicótico que os europeus têm a si mesmos, que os leva a inventar mentiras contra seus heróis e mártires enquanto os remanescentes astecas alardeiam orgulho de uma cultura genocida.

Resumindo: De acordo com Inga Clendinnen a cultura asteca era um totalitarismo sangrento fundada em sacrifícios humanos. Os astecas passavam boa parte do ano caçando humanos nas tribos vizinhas pra sacrificá-los nos festivais que duravam três meses e chegavam a sacrificar de vinte a trinta mil pessoas todos os anos. As tribos vizinhas viviam aterrorizadas esperando o dia em que esse terror acabasse; e acabaram com a chegada dos espanhóis que os unificou para um grande assalto contra a fortaleza azteca. Hernán Cortez, grande militar, queria a rendição, conforme o hábito europeu, mas seus aliados índios queriam a aniquilação total com medo de que um dia essa maldita cultura ressurgisse novamente.

Outra história velha
Olavo de Carvalho
Jornal da Tarde, 31 de janeiro de 2002

Não se espantem que, numa semana tão cheia de novidades, eu insista em contar histórias velhas. Nada pesa mais sobre as decisões do presente do que a visão do passado. Por isso os partidos totalitários se esforçam tanto em deformá-la segundo seus propósitos. Empenham nisto verbas consideráveis e os esforços de seus melhores intelectuais de aluguel: uma falsa imagem do ontem é o mais firme sustentáculo da mentira de hoje.

Talvez o exemplo mais escabroso e mais típico de falsificação da História, nas últimas décadas, tenha sido o assalto geral à memória dos descobridores e colonizadores das Américas. Não há, hoje, quem não acredite piamente que foram ladrões e genocidas cruéis, tão famintos de ouro quanto sedentos de sangue indígena. Filmes, livros didáticos, reportagens em profusão - um bombardeio incansável e avassalador - fizeram da "leyenda negra" da colonização uma verdade estabelecida.

O modelo universalmente aplaudido dessa interpretação da História continental foi o ensaio do lingüista Tzvetan Todorov, A Conquista da América, lançado em 1982, que fez de Hernán Cortez um Adolf Eichmann ibérico, inspirando ao historiador David Stannard a conclusão: "O caminho para Auschwitz passa direto pelo coração da América."

Essa crença se espalhou e serve, hoje, para legitimar não só políticas indigenistas, indenizações e cotas preferenciais, mas também a oficialização do terrorismo intelectual anticristão nas principais universidades americanas.Mas como foi, realmente, a história de Hernán Cortez? Ele desembarcou no México em abril de 1519, com 500 soldados. Na cidade de Tenochtitlán, encontrou a sede do Império Asteca, prodigiosamente rico e poderoso.

Mas não antigo. Os astecas eram nômades que tinham chegado ali em 1325 (tão arrivistas, portanto, como os espanhóis). Só no século seguinte ascenderam ao poder imperial, dominando pelo terror as tribos em torno e obrigando-as a fornecer escravos e vítimas sacrificiais para os ritos de sua religião vampiresca.

O principal desses ritos consistia em imolar vítimas ao deus sol, arrancando-lhes o coração e cortando-as em pedaços. Só os sacerdotes manejavam o punhal sagrado, mas a população inteira colaborava na "mise-en-scène", com alegria feroz, literalmente banhando-se de sangue. Nos grandes festivais amuais, o número de imolações subia a 20, 30 mil. A orgia macabra prolongava-se por 3 meses, antecedida por 6 meses de "estação de guerra" durante os quais os astecas percorriam o país para aprisionar as futuras vítimas (durante os restantes 3 meses do ano não consta que fizessem mal a ninguém).
As tribos circunvizinhas viviam aterrorizadas. Sonhavam com a libertação.

Ela veio pelas mãos de Cortez, que as unificou para um grande assalto conjunto à fortaleza asteca. Os combates terminaram pelo cerco vitorioso a Tenochtitlán. Cortez, conforme o hábito militar europeu, queria a rendição, mas seus aliados índios decidiram que só a total liquidação do adversário poderia livrá-los do perigo. "Não podemos deixar nenhum vivo", disse um deles, "nem os jovens, que se levantarão em armas de novo, nem os velhos, que os aconselharão a isso."

Cortez nem quis nem ordenou a matança dos astecas. Ela foi inteiramente obra de índios. Não foi um genocídio empreendido pelo invasor contra a população local. Foi a liquidação de um império genocida por suas próprias vítimas, num paroxismo de vingança - vingança que pode ter sido excessiva e bárbara, mas não desprovida de motivo. Cortez não foi opressor e matador de índios:
foi seu libertador. Essa conclusão foi firmemente estabelecida pela historiadora australiana Inga Clendinnen em seu livro Aztecs: An Interpretation, publicado pela Cambridge University Press, que não é obra de mera agitação jornalística como a de Todorov, mas uma pesquisa original em fontes primárias, destacando-se como a primeira utilização global e sistemática dos depoimentos indígenas, muitos e detalhados, que se conservam sobre os acontecimentos.

Não obstante, a calúnia vociferada por um charlatão ainda é citada respeitosamente em aulas, seminários, livros didáticos, debates elegantes e jornais, ao passo que a pesquisa científica, por mais louvada que tenha sido nos círculos acadêmicos, continua ignorada pelo público geral e pela mídia.


PADRE FÁBIO DE MELO DIZ UM MONTE DE BESTEIRAS E AINDA AFIRMA QUE A PROPOSTA DE JESUS É SOCIALISTA

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Refletir é preciso, orar não é preciso
Data 16/01/10 às 12:16 h Autor Editoria Vezes 77

http://www.novoeste.com/news_Refletir+%E9+preciso,+orar+n%E3o+%E9+preciso.html

Fábio José de Melo Silva nasceu ao som de "Jesus Cristo" de Roberto Carlos, cantado pelo médico que fez o parto. Isso foi o que lhe disseram na infância, e o garoto gostou da lenda, do som e da oração. Aos 38 anos, padre Fábio de Melo canta e persegue o sucesso, como o rei da música romântica brasileira; e, celibatário, dedica-se a salvar almas, como o Nazareno.

A reportagem é de Paulo Totti e publicada pelo jornal Valor, 16-01-2010.

O público não o decepciona. Seus discos foram campeões de vendas em 2008 e vice em 2009. Depois de 50 semanas na lista da revista "Veja" - capítulo da autoajuda e do esoterismo! -, dois de seus livros chegaram em segundo e quinto lugares entre os mais vendidos no ano passado. Bate recordes a audiência de seu programa das quintas-feiras na rede de TV Canção Nova, "o maior veículo de comunicação católica do mundo (127 operadoras de TV a cabo, 396 retransmissoras)". Fãs/fiéis lotam estádios e até quadras de escolas de samba onde se apresenta. E é uma multidão a fila para receber a eucaristia nas missas que celebra.

Na companhia do padre Fábio, este "À Mesa com o Valor" é sóbrio e frugal, apesar de bem cozidos e delicados os peixes, densos e enxutos os risotos do restaurante Toscana, no centro de Taubaté. Abstêmio desde sempre - "problemas de alcoolismo em família" -, padre Fábio nem sequer pede água no almoço, o que faz que seus convivas, a assessora de imprensa da Som Livre, a fotógrafa e o repórter, se limitem à água mineral ou ao guaraná diet com gelo e laranja.

Um metro e 70, olhos castanhos, camisa esporte azul com finas listras brancas e uma grande bolsa/pasta a tiracolo (na bolsa, celular, bloco de anotação, caneta... "E a 'Bíblia'?" "Não, a 'Bíblia', não"). Padre Fábio esperava a equipe às 11h30 e antecipa desculpas pelo pouco tempo disponível. "Tenho um compromisso às 13 horas." No restaurante todos o conhecem e o tratam com reverência - aparentemente é o que acontece em toda a cidade. Graças ao padre, essa cidade industrial (Volkswagen, Ford, Alstom), com 270 mil habitantes, à margem da Via Dutra e a 130 quilômetros de São Paulo, Taubaté ficou mais conhecida dos brasileiros. Até então a famosa da cidade era a idosa senhora que, segundo Luis Fernando Verissimo, acreditava "até nos ministros da área econômica" de governos recentes.

Ar jovial, é difícil chamar padre Fábio de senhor. Seu sorriso é um pouco tímido e discreto, maneira bem-educada de mostrar cordialidade. Rir mesmo, às gargalhadas, só o fez uma vez durante o almoço. Foi quando disse que a Paulinas, editora dos seus primeiros livros, lhe pagava 6% do preço de capa (a Ediouro paga 12% agora) e o repórter acrescentou: "Isso porque a Paulinas é sua companheira de Igreja..."

"Como decidiu usar a música em seu trabalho de evangelização? Foi reação à penetração pentecostal?"

"Não penso meu ministério como uma forma de competição. Acho isso muito mesquinho, sabe? Não falo só para católicos, mas para o ser humano. Minha missão é pregar o Evangelho e é aí que entra o meu trabalho: desdobro o Evangelho em outras formas de comunicação. A arte sempre fez parte da minha vida. Sou caçula de oito irmãos, com ascendência familiar de muita sensibilidade artística. Meu pai era pedreiro e violeiro. Tocava moda de viola. A família também era muito religiosa. Arte e religiosidade estiveram sempre de mãos dadas."

"Sua música é religiosa, mas não é para cantar durante a missa..."

"Religioso para mim é tudo o que está tocado pela beleza, pela linguagem simbólica. Muitos compositores fizeram isso sem saber que estavam fazendo, ou até mesmo conscientes disso, não sei. É injusto classificar música profana e música sacra. A única diferença é em relação à música litúrgica, da liturgia dos ritos religiosos. A outra música sempre vai ter a possibilidade de ser religiosa, pelo próprio conceito de religião: estar religado a um valor superior."

Padre Fábio é isso. Há pouca diferença entre púlpito e mesa de restaurante. Quando fala, é sempre um pregador, propagador e até propagandista de certezas religiosas.

"Acredito na perspectiva aristotélica de que o bem e a beleza são traços de uma mesma verdade. Onde há beleza há bondade."

"E o que reservar à feiura e a maldade?"

"Feiura e maldade são a negação do sagrado. A arte, esse atributo humano, é uma forma de resgatar a beleza original. Deus potencializa o mundo com tudo o que é bom. Gosto do mito do paraíso perdido, a história de que, por meio de um erro, fomos privados de um valor maior. Existe o livre-arbítrio e você se aproxima de Deus quando tem a possibilidade de escolher e decide pelo bem. É o verdadeiro retorno ao paraíso. Como líder religioso, tenho a responsabilidade de também fazer refletir. Tenho muito medo da religião que só faz rezar."

Fábio nasceu em Formiga, Minas, 195 quilômetros a oeste de Belo Horizonte, e é tido como um intelectual por seus colegas da Igreja. Escreveu sete livros - destaque para os best-sellers "Quem me Roubou de Mim" (editora Canção Nova) e "Cartas Entre Amigos" (Ediouro), este em parceria com o vereador paulistano Gabriel Chalita (PSB). É mestre em antropologia e teologia laureado nas faculdades católicas que frequentou: Lavras (MG), Brusque (SC) e Taubaté (SP). Nesta última, em 2001, ordenou-se padre da Congregação do Sagrado Coração de Jesus (SCJ) na Faculdade Dehoniana (a congregação foi fundada pelo padre francês Leon Dehon, 1814-1882).

No seminário, começou a cantar e a compor. O primeiro disco, "De Deus um Cantador", pela Paulinas-Comep, foi lançado em 1997. Em novembro de 2009, apareceu seu 15º CD, "Iluminar" (Som Livre), com convidados especiais como Zezé di Camargo e Luciano, Elba Ramalho, André Leonno e a banda Roupa Nova. Com "Mulheres Cheias de Graça" (Ediouro), o sétimo livro, seu total de unidades vendidas, discos e livros, está próxima dos 2 milhões.

Melodias e arranjos de seus discos lembram Roberto Carlos e as letras, a poesia de J.G. de Araújo Jorge - "pelo estilo popular, comercial até" -, mas se diz admirador de Chico, Caetano, Paulo César Pinheiro, Fernando Brant, Milton, Roberto Guedes. Prosadores e poetas preferidos são Guimarães Rosa, Autran Dourado, Drummond de Andrade e "minha paixão", Adélia Prado.

Muito bonita a frase sobre "medo da igreja que só faz rezar". Mas o que significa?


"É necessário refletir sobre as questões humanas. Como padre, tenho todos os calvários da humanidade diante de mim. Por mais que se tenha passado por um processo de descrédito, muita gente ainda confia na autoridade do padre, do pastor. É quando posso motivar o ser humano à reflexão. Isso também é uma forma de oração. Religião é um processo de melhoria do ser".

"Você falou em mito do paraíso perdido. Por que mito?"

"A linguagem do 'Gênesis' é simbólica. A verdade está no que ela sugere. A metáfora da expulsão do paraíso e a história de Adão e Eva são tentativas de expor com muita sabedoria a fragilidade humana. Deus estabelece o paraíso, o lugar onde o homem será encontrado por Ele. De repente Adão e Eva, por decisão própria, saem daquele território e se perdem. Não é que Deus não quer encontrá-los, o homem é que não estava no lugar certo na hora do encontro marcado. Precisa crer em Deus para acreditar nisso. Metáfora lindíssima!"

"Como o senhor ajuda a mudar a sociedade ou isso não faz parte da religião?"

"Faz parte. Não proponho uma religião que faça esquecer a vida."

São 12h05 e o maître vem tirar os pedidos. Padre Fábio: "Gosto dos peixes daqui. Os risotos também são bons". Maître: "O salmão fica bem com risoto de manga". Repórter: "Para mim, tudo bem". Fábio (ao maître): "Meu amigo, tem como fazer esse abadejo com um molho que não seja gorgonzola?" "Alcaparra?" "Não tem molho de limão? Uma coisa simples? Não?... Então sem molho, só o abadejo, grelhado. E risoto de manga também".

Como todo sacerdote do Sagrado Coração de Jesus, padre Fábio fez, ao ordenar-se, votos de obediência, castidade e pobreza.

"Você mantém o voto de pobreza?"

"Eu me desliguei da congregação há dois anos. E entrei na diocese. Antes tinha voto de pobreza. É o que chamamos de secularização. Para o desligamento, preciso de bispo que me acolha e diocese que me queira. Dom Carmo, bispo de Taubaté, me acolheu; a diocese de Taubaté me quis, e sou liberado para fazer esse trabalho de comunicação. Não sou melhor do que nenhum padre, meu trabalho é que é diferente. Há muito tempo um livro escrito por um padre não está na lista dos mais vendidos; a Igreja precisa ocupar esse espaço."

"O que você ganha com suas obras agora é seu?"

"Justamente. Administro agora os recursos que me sobram."

"E quanto do que sobra você devolve à comunidade?"

"Ajudo a Canção Nova e entidades beneficentes do país todo. Em vez de criar uma instituição nossa, ajudamos as que já existem. Quando um evento é totalmente beneficente, o organizador só paga os custos. Aí não tem cachê meu. Já deixamos, limpo, para uma instituição social, R$ 200 mil num único evento. Sempre ajudamos uma obra social local. Entre construir a torre da igreja e a creche local, a gente vai ajudar a creche. Já tem muita parede erguida."

"Você fiscaliza o uso do dinheiro? Pode aparecer um picareta..."

"... Já apareceram muitos. Mas minha equipe fiscaliza."

"O voto de obediência você mantém. E o da castidade? O que acha do celibato?"

"Sou a favor do celibato."

A resposta é rápida.

"Não tenho problema com o celibato, para mim foi uma escolha. Ninguém disse que seria diferente. Ninguém me enganou. Quando fiquei padre, sabia que seria assim. A castidade é minha escolha. Seria péssimo pai, péssimo marido, se tivesse que fazer tudo o que faço e ainda cuidar da família."

"Escreve livros, canta, há moças que o acham bonito. Como é o assédio?"

Padre Fábio está corado. "É mais virtual do que real. (Pausa)... As pessoas vão me tratar do jeito que eu autorizar. Se alguém quer me banalizar e eu aceito, ela vai banalizar até o fim do evento e vai contaminar outras pessoas. Se corto o mal pela raiz, meu amigo, vou ser respeitado."

"Por falar nisso, você tem pecado? Não sou seu confessor, mas..."

"Meu maior pecado é a incapacidade de lidar com o tempo. Quando você não compreende o tempo, acaba sendo injusto com as pessoas, quer que deem resultado antes da hora, exige o que não tem direito de exigir."

"Você cobra demais dos fiéis, como um Deus inclemente?

"Não. O pecado diz respeito às pessoas que trabalham comigo. O primeiro grupo a ser evangelizado é a minha equipe. Temos que praticar o cristianismo entre nós. Às vezes exagero na cobrança..."

Padre Fábio é também obediente ao que prescreve a Igreja em outras questões modernas, como o aborto: "Sou contra o aborto, em qualquer ocasião e qualquer situação. Acredito no absoluto valor da vida."

Homossexuais?

"Se não tenho como mudar a maneira como a Igreja interpreta os homossexuais, posso mudar a maneira como os trato."

"E como os trata?"

"Com muito respeito, não se pode esquecer que Jesus Cristo foi misericordioso o tempo todo." Células-tronco? "O debate é recente demais, não sou estudioso do tema. Mas a grande questão é onde começa a vida."

Padre Fábio diz que quando a ciência comprova que a Igreja está errada, esta "até pede perdão", como aconteceu com a condenação de Galileu. A Igreja fará isso, segundo ele, se a sua posição sobre células-tronco for contestada cientificamente. "Já imaginou se estivéssemos fechados às descobertas da psiquiatria? Fenômenos psíquicos, e até parapsicológicos, são verdades humanas, não têm nada de demoníacos."

"Como é a sua rotina?"

"Rapaz, eu me desdobro no ofício de cantar, de compor, de escrever, de ser filho da dona Ana, minha mãe, viúva, que vive comigo em Taubaté, tem 72 anos."

O padre tem um programa semanal na rede de TV Canção Nova, de Cachoeira Paulista, e faz de 15 a 20 "eventos" por mês - nunca é show ou apresentação, é sempre evento.

"Estudou música, canto, composição?"

"Não. É intuição mesmo."

"Mas violão você toca?"

"Muito mal, mas toco. Piano também arrisco. Mas componho sem instrumento. Vou fazendo serviço e depois busco as harmonias. Quando não tenho informação suficiente para a harmonia, peço ajuda."

"Compõe primeiro a letra?"

"Não, primeiro a melodia."

"Cantarola?"

"Justamente. Daí eu faço letra para aquele verso e vou buscando acordes, harmonias."

O cantor e compositor Fábio de Melo tem antecessores na Igreja, padres cantores que lhe servem de inspiração. Um deles é o paulista e salesiano Jonas Abib, fundador da Canção Nova. Na Bahia, o jesuíta paraguaio Casimiro Irala fundou o movimento Oração Pela Arte (OPA), que, aliás, revelou Daniela Mercury. E José Fernandes de Oliveira, o Padre Zezinho (SCJ), também mineiro e também radicado em Taubaté, a quem Fábio considera "um expoente da música popular cristã do Brasil".

"E o padre Marcelo Rossi?"

"Tem muita coragem, seu trabalho de comunicação marca a história da Igreja Católica no Brasil. É recordista de vendas, reúne quase 20 mil pessoas todas as quintas-feiras em seu 'santuário' de São Paulo. Pode não comunicar a você, a mim, mas ao povo que está ali."

Torcedor do Cruzeiro, Fábio só tem tempo de acompanhar futebol pela TV.

"No seminário em que posição você jogava?"

"Na que podia. Era muito ruim, jogava na posição que sobrava. No seminário prevalece uma regra socialista: todo mundo tem o direito de participar."

"A propósito, seu parceiro, o católico Gabriel Chalita, vereador em São Paulo, trocou o PSDB pelo PSB, virou socialista. O que você acha do socialismo?"

"A proposta de Jesus é socialista, né? O socialismo tem sido mal interpretado. Bem aplicada, sem os exageros da antiga União Soviética, a proposta socialista só edifica."

Não se espere de padre Fábio radicais manifestações. Ele não veio ao mundo para dividir. Sobre a Renovação Carismática, por exemplo:

"Tive contatos com a Renovação e hoje não tenho mais. Mas acho o movimento importante, promoveu maior participação do leigo dentro da Igreja. Saí porque acho perigoso a gente se classificar 'sou padre carismático' ou 'sou padre da Teologia da Libertação'. Isso empobrece o sacerdócio. Sou padre da Igreja, preciso atender todo o povo".

Teologia da Libertação?

"Também foi importante. Admiro seu fundador, o peruano e dominicano Gustavo Gutiérrez-Merino. No Brasil, Leonardo Boff teve importância na espiritualidade desses tempos. Foi coerente ao abandonar a Igreja e concluir que estava no lugar errado. Exerceu um direito."

E os evangélicos?

"Tenho respeito por todos os que pregam amor a Deus e ao ser humano. É preciso acordar o povo para viver melhor. Admiro Alejandro Bullón, peruano, da Igreja Adventista, que pensa dessa forma...

(olha o relógio) "Uma hora, gente!"

"A última: Dilma, Serra, Ciro ou Marina?"

"Ainda não tenho nome. Acho que gosto de todos."

Fonte: http://www.ihu.unisinos.br/

O PT É FILHO DO SACERDÓCIO DAS TREVAS DA TEOLOGIA DA LIBERTAÇÃO

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FILHOS DO DEMÔNIO: COMUNISMO 'ABENÇOADO'
PT É OBRA DO CLERO APÓSTATA
QUE NUNCA FOI EXCOMUNGADO


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COMO JESUS É AÇOITADO NOS DIAS DE CARNAVAL

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NOSSO SENHOR DESEJOU A ABOLIÇÃO DO CARNAVAL PORTUGUÊS EM 1940

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CRIAÇÃO DE PAIS DE SANTO, O CARNAVAL CARIOCA RECEBE AS BENÇÃOS DO ARCEBISPO DOM ORANI

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A DESTRUIÇÃO DOS LIVROS PELA REVOLUÇÃO FRANCESA

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REVOLUÇÃO É BARBÁRIE

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O TERROR COMO EMANAÇÃO DA VIRTUDE PARA ROBESPIERRE

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A INQUISIÇÃO ERA MENOS TEMÍVEL QUE A JUSTIÇA CIVIL

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